Calculadora de Juros Compostos
Você diz quanto tem, quanto guarda por mês e por quanto tempo. A gente te mostra o que o tempo faz com isso — e explica o porquê.
O que são juros compostos?
Os juros compostos são conhecidos como os “juros sobre juros”. Eles representam um mecanismo financeiro em que os rendimentos de um investimento ou de uma dívida são reinvestidos ou acumulados ao saldo principal, fazendo com que os ganhos cresçam de forma exponencial ao longo do tempo.
Ao contrário dos juros simples, que incidem apenas sobre o valor inicial investido (ou emprestado), os juros compostos consideram tanto o valor inicial quanto os rendimentos acumulados em períodos anteriores. Isso significa que, a cada ciclo, o valor dos rendimentos cresce mais rapidamente.
Como funcionam os juros compostos?
Imagine que você investiu R$ 1.000 em uma aplicação com uma taxa de juros de 5% ao ano. No final do primeiro ano, seu investimento renderia R$ 50 (5% de R$ 1.000), totalizando R$ 1.050. No segundo ano, os 5% não serão aplicados apenas ao valor inicial de R$ 1.000, mas ao novo total de R$ 1.050. Assim, o rendimento seria de R$ 52,50, totalizando R$ 1.102,50.
Com o passar do tempo, esse crescimento acumulado gera um efeito exponencial, onde os ganhos se tornam cada vez maiores, desde que os juros sejam reinvestidos.
Por que os juros compostos são poderosos?
O maior benefício dos juros compostos é o crescimento exponencial ao longo do tempo. Quanto mais tempo o dinheiro permanece investido, maior será o impacto dos juros compostos. Por isso, é considerado um dos pilares do sucesso financeiro e do planejamento a longo prazo.
Compare duas pessoas, ambas rendendo 10% ao ano, sem valor inicial: Ana investe R$ 500 por mês durante 30 anos — tira do bolso R$ 180.000 e termina com R$ 1.031.421,66. Bruno investe o dobro, R$ 1.000 por mês, mas começa 10 anos depois e fica só 20 anos — tira do bolso R$ 240.000 e termina com R$ 718.259,23. Bruno investiu R$ 60 mil a mais e terminou com R$ 313 mil a menos. Piano piano — não existe aporte que compense década perdida.
Tributação: o resultado bruto não é o que você recebe
Na maior parte das aplicações de renda fixa (CDB, Tesouro Direto, fundos), o IR incide só sobre o rendimento, na fonte, no resgate, seguindo a tabela regressiva da Lei nº 11.033/2004:
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
No exemplo dos 10 anos, os R$ 53.498,45 de juros pagariam 15% de IR — R$ 8.024,77 —, deixando R$ 125.941,04 líquidos.
IOF: incide sobre o rendimento em resgates com menos de 30 dias — irrelevante para quem investe com horizonte de anos. Isenções: LCI, LCA, CRI, CRA, poupança e dividendos de FII são isentos de IR para pessoa física.
O efeito da inflação
Rendimento nominal é quanto o número cresce. Rendimento real é quanto o seu poder de compra cresce — a diferença é a inflação. Em julho de 2026, a Selic está em 14,25% ao ano e o IPCA acumulado em 12 meses, em 4,64%. Descontando 4,64% ao ano de inflação, os R$ 133.965,81 do exemplo canônico valeriam R$ 85.117,07 em poder de compra de hoje.
Duas saídas práticas: usar uma taxa já líquida de inflação no campo, ou preencher o reajuste anual do aporte com a inflação esperada — assim seu esforço mensal não encolhe com o tempo.
Erros comuns
- Dividir a taxa anual por 12. Isso dá a taxa nominal, não a equivalente, e infla o resultado.
- Usar a rentabilidade passada como taxa futura. Um fundo que rendeu 18% no ano passado não garante 18% no próximo.
- Esquecer o imposto e as taxas. O saldo da tela é bruto.
- Comparar valor nominal daqui a 20 anos com preço de hoje. R$ 1 milhão em 2046 não compra o que R$ 1 milhão compra agora.
- Chutar um aporte irreal. Um aporte que você não consegue manter quebra a premissa central da simulação, que é a constância.
Perguntas frequentes
Qual é a fórmula dos juros compostos com aporte mensal?
M = C(1+i)ⁿ + A · ((1+i)ⁿ − 1)/i, com i e n na mesma unidade de tempo — normalmente a mensal. O primeiro termo é o crescimento do valor inicial; o segundo, a soma dos aportes já rendidos.
Juros compostos rendem todo mês?
Depende da aplicação. A calculadora assume capitalização mensal, que é o padrão de CDB, Tesouro Direto e fundos. Poupança rende só no "aniversário" mensal do depósito, e ações não têm rendimento contratado.
Como transformar 12% ao ano em taxa mensal?
(1,12)^(1/12) − 1 = 0,9489% ao mês. Não é 1% — dividir por 12 dá a taxa nominal, que superestima o resultado.
Qual a diferença entre juros simples e compostos?
Juros simples rendem sempre sobre o valor inicial; compostos rendem também sobre os juros acumulados. R$ 5.000 a 10% ao ano por 10 anos viram R$ 10.000 no regime simples e R$ 12.968,71 no composto.
Preciso informar o reajuste anual do aporte?
Não, é opcional — deixe 0% e o aporte fica fixo. Mas preencher com a inflação esperada torna a simulação mais realista, porque mantém o esforço mensal constante em poder de compra.
A calculadora desconta imposto de renda?
Não. O resultado é bruto. Para uma estimativa líquida em renda fixa acima de dois anos, desconte 15% do total em juros.
Quanto rende R$ 500 por mês em 30 anos?
A 10% ao ano, R$ 1.031.421,66, dos quais R$ 180.000 são aporte e o resto, juros. A taxa muda muito esse número; simule com a sua.
Posso usar essa calculadora para dívidas?
A matemática é a mesma, mas com sinal invertido e sem aportes. Para financiamento com parcelas, use Il Mutuo — Financiamento (SAC e Price).
Glossário
- Aporte
- O dinheiro novo que você adiciona ao investimento a cada mês.
- Capitalização
- O momento em que o juro é incorporado ao saldo e passa a render.
- Taxa equivalente
- Taxa de outro período que produz exatamente o mesmo montante no regime composto.
- Taxa nominal
- Taxa anual anunciada que é simplesmente dividida pelo número de capitalizações; sempre menor, na prática, que a efetiva.
- Rendimento real
- O rendimento depois de descontada a inflação.
- Regime postecipado
- Convenção em que o aporte entra no fim do período, e não no início.
- CDI
- Taxa de referência das aplicações de renda fixa privada, historicamente colada na Selic.
- IPCA
- Índice oficial de inflação do Brasil, medido pelo IBGE.
Fontes
- Calculadora do Cidadão — ajuda do sistema · Banco Central do Brasil · consulta em 26/07/2026
- Série 432 — Meta Selic definida pelo Copom (SGS) · Banco Central do Brasil · 14,25% a.a., consulta em 26/07/2026
- Série 13522 — IPCA acumulado em 12 meses (SGS) · Banco Central do Brasil · 4,64% em jun/2026, consulta em 26/07/2026
- Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) · IBGE
- Tributação de 2026 — tabelas · Receita Federal
- Lei nº 11.033/2004 (alíquotas regressivas de IR em renda fixa)
- Matemática Financeira — capitalização composta e taxas equivalentes · CESAD/UFS
- Ata da 279ª Reunião do Copom (17/06/2026) · Banco Central do Brasil
Conteúdo educacional. O resultado é uma simulação baseada nas premissas que você informou e não constitui recomendação de investimento nem garantia de rentabilidade.Atualizado em .